O autor da réplica de locomotiva existente
na Estação de S. Bento (Porto)
na Estação de S. Bento (Porto)
Certamente que muitos recaredenses terão já passado pela gare da Estação de S. Bento, na cidade do Porto, e reparado na pequena réplica de uma antiga locomotiva a vapor com um vagão atrelado, colocada dentro de um expositor de vidro que, à introdução de uma moeda, movimenta as rodas e emite um sinal sonoro.
Aquilo que não será tanto do conhecimento geral é o curioso facto de essa locomotiva ter sido construída por um “mestre ferreiro” residente e natural de Recarei.
António Morais herdou do seu pai, Vitorino, a arte de trabalhar o ferro. A oficina onde Vitorino Morais fazia os seus trabalhos localizava-se na actual Rua de S. Lázaro, no lugar de Várzea desta freguesia. Entre as diversas peças que resultavam do seu labor diário destacavam-se os fogões e as alfaias agrícolas: foices, arados ou tão simplesmente pregos para as rodas dos outrora abundantemente usados carros de bois. Todos estes trabalhos eram realizados com matéria-prima comprada pelo artífice na cidade do Porto.
Acompanhando seu pai, António Morais tomou o pulso à actividade e especializou-se, também ele, naquela arte. Porém, por intercessão do Sr. Álvaro Gonçalves Pereira, inspector da CP e presidente da Junta de Freguesia de Recarei entre 1942 e 1950, viria a conseguir emprego nos caminhos-de-ferro.
Apresentou-se como conhecedor e experiente na arte de ferreiro, o que fez com que um engenheiro da empresa lhe confiasse uma tarefa específica. Entregara-lhe em papel um projecto de locomotiva para que, a partir dali, fosse feita uma réplica em miniatura.
Só o simples facto de o pedido ter vindo de um alto responsável da sua entidade empregadora, transformava desde logo aquela execução num fardo pesado. Todavia, António Morais não se negara a cumpri-la, e mesmo sentindo um certo e natural receio, estava determinado a não desiludir quem lhe havia confiado tal “empreitada”.
Num apelo à sabedoria e experiência de seu pai, pedira-lhe ajuda e conselhos para que a tarefa viesse a ser satisfeita da melhor forma possível.
Foi então apresentada ao engenheiro responsável uma elegante locomotiva em tons de castanho, com cerca de 1 metro e meio de comprimento, disposta sobre carris com um vagão de carvão em apenso, repleta de detalhes denotativos da minúcia, rigor e destreza empregues no trabalho feito.
Face a isso, o recaredense António Morais não só recebeu os maiores elogios por parte dos seus superiores hierárquicos como acabaria por ser distinguido com o “prémio” da passagem directa aos quadros daquela empresa. Refira-se que, em condições normais e para o operariado em geral dos caminhos-de-ferro, a passagem à efectividade demorava, na altura, vários anos a ser alcançada.
Posteriormente, à dita locomotiva foi acrescentado um mecanismo electrónico que lhe conferiu alguma animação e movimento.
Identificada como sendo propriedade do Grupo Desportivo dos Ferroviários de Campanhã, ela mantém-se ainda hoje em actividade numa das laterais de S. Bento, para gáudio da pequenada que lá vai introduzindo a moedinha na expectativa de admirar aquele singelo mas curioso efeito.
Aquilo que não será tanto do conhecimento geral é o curioso facto de essa locomotiva ter sido construída por um “mestre ferreiro” residente e natural de Recarei.
António Morais herdou do seu pai, Vitorino, a arte de trabalhar o ferro. A oficina onde Vitorino Morais fazia os seus trabalhos localizava-se na actual Rua de S. Lázaro, no lugar de Várzea desta freguesia. Entre as diversas peças que resultavam do seu labor diário destacavam-se os fogões e as alfaias agrícolas: foices, arados ou tão simplesmente pregos para as rodas dos outrora abundantemente usados carros de bois. Todos estes trabalhos eram realizados com matéria-prima comprada pelo artífice na cidade do Porto.
Acompanhando seu pai, António Morais tomou o pulso à actividade e especializou-se, também ele, naquela arte. Porém, por intercessão do Sr. Álvaro Gonçalves Pereira, inspector da CP e presidente da Junta de Freguesia de Recarei entre 1942 e 1950, viria a conseguir emprego nos caminhos-de-ferro.
Apresentou-se como conhecedor e experiente na arte de ferreiro, o que fez com que um engenheiro da empresa lhe confiasse uma tarefa específica. Entregara-lhe em papel um projecto de locomotiva para que, a partir dali, fosse feita uma réplica em miniatura.
Só o simples facto de o pedido ter vindo de um alto responsável da sua entidade empregadora, transformava desde logo aquela execução num fardo pesado. Todavia, António Morais não se negara a cumpri-la, e mesmo sentindo um certo e natural receio, estava determinado a não desiludir quem lhe havia confiado tal “empreitada”.
Num apelo à sabedoria e experiência de seu pai, pedira-lhe ajuda e conselhos para que a tarefa viesse a ser satisfeita da melhor forma possível.
Foi então apresentada ao engenheiro responsável uma elegante locomotiva em tons de castanho, com cerca de 1 metro e meio de comprimento, disposta sobre carris com um vagão de carvão em apenso, repleta de detalhes denotativos da minúcia, rigor e destreza empregues no trabalho feito.
Face a isso, o recaredense António Morais não só recebeu os maiores elogios por parte dos seus superiores hierárquicos como acabaria por ser distinguido com o “prémio” da passagem directa aos quadros daquela empresa. Refira-se que, em condições normais e para o operariado em geral dos caminhos-de-ferro, a passagem à efectividade demorava, na altura, vários anos a ser alcançada.
Posteriormente, à dita locomotiva foi acrescentado um mecanismo electrónico que lhe conferiu alguma animação e movimento.
Identificada como sendo propriedade do Grupo Desportivo dos Ferroviários de Campanhã, ela mantém-se ainda hoje em actividade numa das laterais de S. Bento, para gáudio da pequenada que lá vai introduzindo a moedinha na expectativa de admirar aquele singelo mas curioso efeito.
___________________________________
Nota: As informações descritas no artigo chegaram até nós por testemunho da Sra. D. Maria de Fátima Morais, irmã do autor da referida réplica de locomotiva.
Nota: As informações descritas no artigo chegaram até nós por testemunho da Sra. D. Maria de Fátima Morais, irmã do autor da referida réplica de locomotiva.

0 comentários:
Enviar um comentário